Museu da Real Casa de Portugal
Arte Antiga e Moderna
Do Expressionismo ao pós-Modernismo: Pequena síntese sobre os movimentos artísticos do século XX |
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Ou seja, contesta qualquer que seja a técnica de representação irreal da profundidade, e portanto rejeita a pintura tradicional a favor de um regresso à arte primitiva, tida em conta como mais instintiva e vital. Nos quadros de Fauves, à falta de degrades de cores e esfumados, ao desaparecimento dos habituais efeitos de claro-escuro e de volume, responde um forte e contínuo uso de cores contrastantes entre si. A prevalência das cores puras obtém, também, um significado alegórico quando sublinha a condição interior de total disponibilidade em reinventar novos modelos de imagem. O grupo expressionista alemão Die Brücke segue desde o início um programa de auto definição revolucionária. Como os Fauves, também os artistas do grupo Die Brücke colhem a inspiração da arte primitiva, da recuperação de técnicas e materiais ligados à tradição popular alemã - como por exemplo a silografia - ritualizadas com o objectivo/função de crítica social.
Coisas e figuras humanas são representadas por diferentes planos de prespectiva e de diferentes, e frequentemente, autocontraditórias, angulações. Não somente: as imagens são sobrepostas como se na fusão, visões sucessivas, se tentasse comunicar a totalidade das possíveis percepções que se podem obter observando de diferentes prespectivas. Um processo talmente elaborado de descomposição e composição sucessiva, de um lado "destrói" a forma de tal maneira e aproxima-se tanto ao abstracto puro que, muitas das vezes, faz com que seja complicada a individualização do sujeito. Por outro lado estimula o desenvolvimento de novas técnicas polimatéricas que através da cor densa - misturada até com elementos orgânicos, como por exemplo a areia - e uso da técnica de colagem (papel, madeira e tecidos). Comunica ao observador sensações tactivas e visivas que o trasportam à realidade física. Não só se assiste a uma descomposição da realidade representada através de formas esquemáticas e geométricas, como também se aperfeiçoam as técnicas que reconduzem, materialmente, à realidade. O corpo físico que constitui um objecto, não é, portanto, somente «representado» mas, frequentemente, é colado tal como é sobre a tela, incorporado, de tal modo que algumas das composições polimatéricas parecem não permitir sequer a distinção dos limites entre pintura e escultura. A questão relativa à relação com a realidade externa, é também determinante para a origem do movimento alemão Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), movimento este, fundado em 1911 por Vasilij Kandinskij. A imagem é interpretada como uma forma de expressão que não tem necessidade de representar a natureza, os objectos ou as figuras humanas: ideias, sensações e emoções, são na realidade um efeito directo das cores, dos pontos, das superfícies, das linhas e das luzes, completamente independentes do seu significado.
traços, luzes e cores atingem um nível elevadíssimo de auto suficiência, revelando-se na sua natureza, radicalmente, anti-ícones e anti-símbolos. 3. O Neoplaticismo, também definido como «De Stijl», impõe-se na Holanda em 1917. Os seus esponentes mais representativos são: Théo Van Doesburg (arquitecto) e Piet Mondrian, pintores, fundadores da revista «De Stijl», e através de uma série conspícua de manifestos e debates, enfrentam o tema da «construção da obra de arte». Tanto na arquitectura como na pintura, a procura destes artistas, implica partir de formas geométricas muito simples. Nasce assim, por um lado uma arquitectura baseada em elementos pré-fabricados, a qual corresponde às exigências da economia e da prática, com ambientes distribuidos de modo racional e, sobretudo "bonitos", dada a sua funcionalidade; por outro lado uma pintura interpretada como uma rigorosa construção artificial do espaço pictórico, composta por traços e planos de uma cor densa. Neste sentido, o Abstractismo de Mondrian, é de facto diferente daquele de Kandinskij e de Klee: no seu caso, a tentativa é, exactamente, aquela dirigida à total eliminação de interpretações subjectivas da imagem. Por último, resolver um problema de composição demonstra ser um procedimento, após a demonstração de um teorema matemático. Para Mondrian, a obra de arte, identifica-se com a realização de um projecto, e não com o êxito de uma sensação: a armonia da união e o equilíbrio da composição estão ligados a cálculos bem precisos úteis a determinar a grandeza de cada superfície, a sua forma e a sua cor. Com o movimento Dada, o qual nasce quase nos anos Vinte, verificamos uma forma de provocação social e cultural, mais do que o desenvolvimento de uma verdadeira corrente artística. A escolha casual, procurada da denominação, do movimento é representativa do comportamento de auto conformismo adoptado pelos dadaístas: obra de arte como rebelia. Imagens que nascem da casualidade dos materiais, os quais as compõe, da sua assemblagem são propostas formas de arte quaisquer que sejam os objectos: bilhetes de autocarro, rolhas, rodas de bicicleta, chávenas de café confeccionadas com peles, ferros de engomar. A obra de arte tende a coincidir somente com a assinatura do artista: perdendo o conteúdo simbólico da obra, o Dadaísmo parece deste modo abrir uma nova concepção de «anti-arte».
O Surrealismo, profundamente semelhante à Metafísica, desenvolve-se nos anos Trinta. É o período em que se difundem as teorias psico-analíticas sobre o inconsciente que, como sabido, determinam uma conspícua ritualização dos temas simbólicos na cultura do século vinte. O Surrealismo, filtra as imagens do mundo irreal e, frequentemente, angustiado dos sonhos. As pinturas e as esculturas entercalam-se com elementos dispostos sem uma ordem lógica e aparentemente sem nexo. Através deste procedimento a pintura surrealista não continua a ter como objectivo a representação da realidade simples da sensibilidade eterna, mas sim a representação daquela interior do sujeito - a zona interior macabra, obscura e confusa. É desta maneira que, os quadros surrealistas, dão vida a uma espécie de outro "mundo" caracterizado da fascinante mistura entre a realidade e o sonho.
5. Depois da Segunda Guerra Mundial, numa atmosfera de crise cultural e de uma difundida desconfiança político-social, foi determinada, quase em contraste com o resto, uma enorme vontade de exprimentação da forma. Uma procura de novas formas expressivas, de total rejeição pela tradição cultural europeia. Verifica-se então, uma absoluta ruptura dos percursos clássicos da expressão artística e abre-se o caminho a uma panóplia de procuras/pesquisas, até então, isoladas ou pessoais, as quais, diferentemente do que havia sido verificado no passado, não dão vida a verdadeiros movimentos ligados entre si, dão origem, porém, a novas linhas de pesquisa ao mesmo tempo orientadas e convenientes. Façamos a análise das principais.
Em síntese: para a rejeição da imagem obtida através de regras consolidadas e para continua procura da imediação e da instintividade expressivas, o Informal entrega-se ao Impressionismo de tal modo que, também é possivel definir este como «Impressionismo Abstracto», a rejeição da tradição cultural, relaciona-se com o Dadaísmo; para a exaltação do inconsciente ao Surrealismo; para a violência da imagem ao Expressionismo. Percorrendo o caminho traçado do Informal manifesta-se nos Estados Unidos, por volta dos anos Cinquenta, uma tendência de Action Painting - pintura de acção.
Aparatos mecânicos, luminosos, electromagnéticos direccionados à estimulação de aproximações de cores nítidas às linhas e formas geométricas capazes de provocar no observador reacções subjectivas especiais, seja do ponto de vista psicológico, seja daquele óptico. A arte informal segue a Pop-art (abreviação de Popular art), um movimento artístico que nasceu na Inglaterra, mas que acabou por se desenvolver nos Estados Unidos. É definida como « popular », uma vez que o interesse fulcral do artista é o de representar a vida quotidiana do indivíduo, ou seja, àquele mundo artificial-industrial que, irreversivelmente, mudou o ambiente das cidades modernas. O elemento base da obra pop ínclui sempre uma imagem de um sujeito retirado do comum imaginário contemporâneo: garrafas de Coca Cola, personagens de banda desenhada, destroços do automóvel.
Oldemburg propõe objectos de uso obcessão comum ampliados e alterados relativamente aos materiais que os compõem (alimentos de gesso); Rosenquist projecta sobreposições de imagens banais (fatias de melão, sandwich) até ao ponto de as transformar em imagens desorientadas e ameaçadoras; Lichtenstein exprime-se através de imagens de banda desenhada; por fim Warhol - talvez o que melhor representa o movimento - reproduz repetitivamente o mesmo sujeito. Da imagem de Marylin Monroe à Gioconda di Leonardo, até conseguir fazer com que desapareça definitivamente o significado inicial destes.
6. No final dos anos Sessenta, no âmbito internacional, evidencia-se uma nova linha de tendência, a qual considera a produção artística como sendo um projecto abstracto, teórico, produto exclusivo do pensamento, totalmente afastado da realização concreta, em total oposição à produção artistica tradicional. Esta tendência, que veio tão somente afirmar o valor primario da projectação mental em relação à obra realizada, entitula-se Arte Conceptual. Esta rejeita a realizaçao tradicional, suspeitando que cada produto artistico possa reduzir-se à merce do consumo. A arte é compreendida e interpretada como ideia e como puro conhecimento. O delineamento da corrente do Conceptual, influenciou, ainda que nem sempre com resultados coerentes, grande parte da pesquisa artística vindedoura. Nasceram assim, por um lado a Arte Pobre - total rejeição do «material bonito», da composição baseada em regras precisas, com uma nítida atitude comportamental de rebelião contra a produção artística tradicional: não se apresentam obras, mas sim informações, projectos, propostas abertas, modos de ser no mundo, contrariamente a mostrar resultados definidos; por outro lado a Body-art - «obra» a qual representa com obcessividade o nu humano, i é, o artista trabalha, directamente, sobre o próprio corpo, chegando ao punto de o fazer através de acções violentas, frequentemente, gravadas em televisão " Teatro-performance ".
Na Transavanguarda são utilizados materiais e instrumentos tradicionais (pincéis, telas e cores), ainda que não rejeitando as mais recentes técnicas expressivas: o sucesso/resultado, é uma pintura de esteta, em grande parte direccionada à celebração da própria e absoluta liberdade criativa, mas principalmente uma pintura não marcada por pesos ideológicos ou superestruturas intelectuais. Bartolomeo Quinto
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